Abertura dos trabalhos legislativos mostrou que, apesar de considerável renovação nas cadeiras, nada mudará na relação entre os poderes: o prefeito manda e os vereadores obedecem

A sessão que marcou o início dos trabalhos legislativos na Câmara Municipal de Parauapebas aconteceu no dia 18 de fevereiro. Apesar de considerável renovação nas cadeiras, é perceptível que os novatos já foram devidamente “adestrados” pelo outro poder e tudo continua como tal e qual no “País das Maravilhas”.De novidade mesmo, só a presença do prefeito Darci, que não costuma aparecer na Câmara.

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Fora a posse, o prefeito nunca havia pisado na Câmara desde o segundo mandato, e agora, no quarto mandato, resolveu prestigiar a sessão junto com o seu vice, João do Verdurão, e todo o staff de secretariado.O prefeito conferiu de perto os discursos dos vereadores, que, em sua maioria, pareciam estar em teste para ver quem ficaria com a vaga de líder do governo. Aliás, nesse quesito, o vereador Luís Castilho (PROS) se saiu muito bem.

Todo o seu discurso foi apenas uma ladainha de apresentação de obras, e no final, ainda disse que não deu tempo e escalou o Zacarias (PP) para terminar o serviço.Só lembrando que o Luís Castilho foi eleito pela segunda vez financiado pelo dono da Semob, quem seja o Branco da White.

Apesar da sua performance satisfatória como agente de propaganda do governo, a vaga de líder ficou mesmo com o Zacarias.Outro destaque foi o novato Zé do Bode (MDB), que criticou os secretários do governo. Sem citar nomes, pediu ao prefeito que desse um puxão de orelha no seu secretariado por não receber vereador. “Vereador foi eleito pelo povo e secretário foi indicado pelo prefeito. Tem que receber vereador”, destacou Zé do Bode.

Essa fala chamou a atenção para o maior calcanhar de Aquiles do governo Darci. Todos sabem que o modelo de lotear secretarias entre vereadores adotado pelo governo nunca deu certo. Cada vereador indica um apadrinhado que, via de regra, não tem habilidade para o cargo, e as secretarias viram território minado que têm como principal missão dar suporte ao vereador. Viram uma espécie de subprefeitura e objeto de discórdia entre os próprios edis. Esse modelo pernicioso de fazer política nunca deu certo em lugar algum do mundo e não seria em Parauapebas que lograria êxito.

A cereja do bolo ficou mesmo foi com o novato Aurélio Goiano (PSD). O único representante da oposição que conseguiu se eleger carrega nas costas a expectativa de que fará um mandato incendiário e que dará muito trabalho aos colegas vereadores e ao prefeito Darci. No seu discurso, sustentou que só a morte pode calá-lo. “Terão que me matar, comprar o caixão e me mandar para o Zé de Areia”, dispara, em referência ao cemitério da cidade.

Seu discurso provocou a reação do prefeito Darci, que ignorou os demais vereadores que lhe beijaram as mãos e voltou sua atenção para Aurélio Goiano. O prefeito ressaltou que, se depender dele, Aurélio continuará vivo. “Essa não é a minha prática e eu não aceito nem suspeição sobre esse assunto”, defendeu o prefeito.

Já o vereador Rafael Ribeiro (MDB), em seu discurso na tribuna, ressaltou a situação crítica da Escola Estadual Irmã Dulce, que, segundo ele, está completamente abandonada desde setembro de 2013. Enquanto isso, a população sofre com a falta da escola de ensino médio em Parauapebas. São mais de 15 mil estudantes, e o governo do estado tem apenas duas escolas próprias no município – uma delas a Irmã Dulce. Rafael destaca que, mesmo sendo do partido do governador, não pode deixar de expressar a sua indignação pelo abandono da educação pública em Parauapebas.

No mais, a primeira sessão da Câmara de Parauapebas deixou a impressão de que tudo continuará como antes. O prefeito terá uma Câmara inteira à sua disposição e não terá nenhum problema, haja o que houver. O que os cidadãos perguntam é: quanto custará essa estabilidade?

Fonte: (Vinícius Soares/Debate Carajás)

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