O vereador de Parauapebas, Aurélio Goiano(psd), esteve visitando o Hospital Geral de Parauapebas na quinta-feira(18) após receber denúncias de falta de insumos básicos, como oxigênio, no hospital. O vereador enfrentou problemas para adentrar ao hospital, envolvendo até a Polícia Militar, mas conseguiu e logo foi busca de informações do gerador de oxigênio.

Após poucos minutos, o encontrou funcionando e foi em busca de mais informações.

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“Eles estão acostumados a não serem fiscalizados.”, disse o Vereador.

Através das imagens da visita do Vereador, foi possível visualizar algumas precariedade no prédio como: goteiras e o teto danificado.Dentro do hospital, Aurélio encontrou uma mulher que relatou estar há mais de 30 dias a espera de um cirurgia urgente para o marido, que está com enfermidade no coração.

“Já acionei o MP, já tenho uma ordem judicial para cumprirem em 48h, mas até o momento nada”

, relatou a mulher.

O Vereador passou pela área de emergência e conversou com alguns enfermos sobre o atendimento. Os corredores estavam lotados, porém o atendimento funcionando normalmente.Enfim, Aurélio chegou na área de Covid-19 para saber da falta de oxigênio, onde foi impedido de continuar por falta de trajes adequados para estar no ambiente.

O vereador reclamou do mal atendimento, apesar de obter a resposta de que tudo estaria funcionando normalmente.Após sair do local, o vereador flagrou uma mulher sendo vestida as pressas com epi’s na área de covid-19

“Se esse for o tratamento que o paciente tem aqui, a gente vai pra onde?”, relatou o vereador sobre o tratamento recebido na recepção da área do Covid-19.

Dois dias após da visita inesperada do Hospital Municipal, a Prefeitura do município se pronunciou através do site oficial, com a seguinte nota:

A Prefeitura de Parauapebas vem a público repudiar a conduta do vereador Aurélio Goiano, ocorrida na noite da última quinta-feira, 18. Na ocasião, o parlamentar foi ao Hospital Geral de Parauapebas (HGP) para averiguar supostas denúncias de falta de oxigênio, que acabaram por revelar-se infundadas. Nosso município produz seu próprio oxigênio e em quantidade maior do que a sua demanda.Ressaltamos que a gestão municipal compreende qual o papel de atuação do vereador.

Entretanto, considera no mínimo desrespeitosa a forma com que o parlamentar procedeu com os servidores.Primeiramente, sem apresentar qualquer habilidade para dialogar, inclusive já demonstrada em diversas outras situações em que ataca a gestão municipal sem provas, o parlamentar acionou a Polícia Militar na tentativa de coagir os servidores.

Depois da ação desproporcional, o vereador foi até a usina de produção do oxigênio e constatou que estava de fato tudo funcionando dentro da normalidade. Destaca-se que os equipamentos passam por manutenção constante, justamente para que não apresente problemas a ponto de parar a produção.

Outro momento questionável da conduta do vereador foi a exposição e constrangimento sofridos pelo servidor da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) quando tentava explicar ao parlamentar que não poderia estar naquela unidade sem a paramentação adequada. Por repetidas vezes, o vereador disse que não precisava de autorização.

Mas o que estava sendo questionado era a ausência do uso dos equipamentos de proteção individual (EPIs) necessários e o pior recusando-se a usar.A prefeitura esclarece que devido à pandemia até as visitas na unidade hospitalar estão suspensas. Infelizmente, nem os próprios familiares podem visitar os pacientes para evitar a infecção. Isso para que a pessoa não leve o vírus da rua para unidade, assim como ao contrário.

E é importante frisar que o vereador não estava sozinho, ou seja, mais pessoas estavam gerando certa aglomeração dentro da UTI.O vereador eleito para defender o cidadão ainda constrangeu o servidor público, desrespeitando o artigo 146 do Código Penal. Sem atender às recomendações do profissional de saúde, Aurélio Goiano argumentava apenas dizendo que já teve Covid-19, demonstrando desconhecer ou não se importar com as orientações dos especialistas, devido às novas cepas e possível reinfecção.

Para atuar na UTI, os profissionais da saúde utilizam: propés, avental ou capote, máscara N95, óculos, touca e luvas (se tocarem no paciente). Tudo porque a unidade é um ambiente gerador de aerossóis. As partículas ficam suspensas no ar por mais tempo e em maiores distâncias porque são menores e mais leves.

A Prefeitura de Parauapebas informa que está de portas abertas para receber os legisladores, mas é preciso obedecer às normas de segurança e de saúde. Caso não entre em contato com antecedência, ao chegar no espaço é recomendado anunciar a presença de forma ordeira. Assim, serão disponibilizados os EPIs, e ainda poderá contar com apoio de um profissional de saúde para tirar possíveis dúvidas em relação ao funcionamento.

A prefeitura reitera o compromisso que vem trabalhando para proporcionar condições adequadas de trabalho aos seus servidores e de atendimento a quem precisa dos serviços de saúde. Reforça ainda que é preciso garantir a decência e a ordem para não comprometer o andamento dos serviços.

Cabe dizer que mandato parlamentar não dá direito à desobediência civil. Leis e protocolos existem para serem cumpridos e são criados visando ao bem comum. É essa noção que nos livra da barbárie e nos identifica como sociedade.A democracia entende e até estimula o contraditório, pois é saudável para o embate (honesto) de ideias. Mas a saúde pública não é a seara adequada para o proselitismo político, nem se presta a palanque para discursos políticos oportunistas.

Matéria: Portal Canaã

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