O site Fala Sério inicia hoje uma série de reportagens sobre curiosidades políticas da Terra Prometida. Há 20 anos, o vereador Élio Líder perdeu a eleição por 69 votos para Anuar Alves

Em outubro de 2000, cerca de 5 mil eleitores da ainda pequena, porém promissora, Canaã dos Carajás foram às urnas escolher seus governantes. Os moradores votariam, naquele dia 29 do décimo mês, o sucessor de Cimar Gomes como prefeito da Terra Prometida. Havia poucas ruas asfaltadas na Canaã, que tinha apenas seis anos de emancipação político-administrativa, e a poeira de um solo fértil subia de acordo com as passadas dos desbravadores de Canaã, que iam às urnas escolher o novo gestor.

O clima era quente. O verão amazônico não poupava o couro cabeludo dos canaenses; quase 40 graus de sensação térmica. Mas a quentura mesmo vinha das bandeiras nas ruas, das paixões, dos sonhos de conquista, do desejo de ver Canaã crescer. A Vale, que ainda era do Companhia do Rio Doce, já prospectava Canaã e já se sabia que essa terra tinha um dos maiores potenciais minerais do planeta. Os políticos da época sabiam muito bem que o orçamento da Terra Prometida se multiplicaria em poucos anos graças ao ISS de novas empresas e aos rios de dinheiro que viriam dos tão desejados royalties da mineração.

Na disputa, três pioneiros de Canaã: Anuar Alves, do PDT, José Maria Calires, do PTB, e Élio Ferreira da Costa, o Élio do Líder, do PSB. Em três meses de campanha, os três candidatos gastaram as solas dos sapatos visitando milhares de moradores das zonas urbana e rural. O maior desejo? Uma Canaã com infraestrutura, com melhor educação, com mais oportunidades. As promessas dos candidatos? O de sempre: atender os desejos da população.

De porta em porta, de casa em casa, Élio do Líder e Anuar Alves conquistaram rapidamente a simpatia dos eleitores. Pelo boca a boca era impossível saber, à época, quem levaria a melhor na disputa. Os grupos de Whatsapp eram as esquinas, as enquetes de Facebook eram o falatório popular. “Élio ganha essa!” dizia um cientista político da época. “Não, não! O Siô vai ganhar!” protestava um adepto do “Anuarismo”.

Na boca de urna, impossível identificar os vencedores. Ao longo de todo o dia, apreensão… Voto a voto, a disputa mais acirrada da história de Canaã. Anuar: 1934 votos. Élio do Líder: 1865.

Lenços para a tristeza de um lado, glicose para a alegria e alívio do outro. A democracia fez sua justiça, mas há quem diga que não: “Élio merecia ter levado aquela, fez uma campanha mais bonita” choravam alguns.

A história dos dois políticos continua até hoje. Anuar é o ex-prefeito mais carismático da história de Canaã. Élio do Líder é vereador, cacique do MDB local, e deve se reeleger em 2020. Não se sabe, porém, se a ferida de ter perdido o seu nome na história por apenas 69 votos já está cicatrizada. Talvez sim, provavelmente não.

Fotos: Ascom/PMCC e Reprodução/Internet

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