Ao todo, 16 pessoas foram indiciadas por homicídio duplamente qualificado contra as 270 vítimas da tragédia

A Vale sabia, ao menos desde 2017, portanto dois anos antes do rompimento da barragem em Brumadinho, que a estrutura apresentava “situação crítica”. A informação consta na denúncia apresentada pelo Ministério Público de Minas Gerais contra o ex-presidente da Vale, Fábio Schvartsman, dez funcionários da mineradora e outros cinco da empresa de consultoria alemã Tüv Süd. 

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De acordo com a denúncia, as investigações apontaram que a Vale possuía internamente “diversos instrumentos que garantiam um profundo e amplo conhecimento da situação de segurança de suas barragens”. Mas, ao mesmo tempo, “de forma sistemática”, ocultava essas informações do Poder Público, da sociedade e de investidores e acionistas da empresa. PUBLICIDADE

“A Vale constituiu internamente verdadeira ‘caixa-preta’, consistente em estratégia corporativa de manter sigilosamente informações sobre riscos geotécnicos inaceitáveis de barragens de rejeito”, diz trecho da denúncia.

Os promotores de Justiça citam que a Vale utilizava sistema computacionais que permitiam a produção de conhecimento sobre a situação global das barragens e das “peculiaridades do dia a dia de cada estrutura”.

A denúncia também destaca a produção e compartilhamento de informações nos Painéis Independentes de Especialistas para Segurança e Gestão de Riscos de Estruturas Geotécnicas, “que reuniam especialistas externos e as equipes técnicas da Vale e de empresas contratadas para debater sobre temas críticos e definir parâmetros de análises técnicas e de tolerabilidade aos riscos”.

Em 2018, a barragem ocupava a oitava posição no “Ranking de Barragens em Situação Inaceitável”, considerada com probabilidade de falha acima do limite aceitável a partir de resultados de estudos da própria Vale. 

“Contraditoriamente, no mesmo mês do evento, a equipe técnica da Tüv Süd emitiu Declaração de Condição de Estabilidade (DCE) da Barragem I”, diz o texto.

Denúncia

O ex-presidente da Vale, Fábio Schvartsman, outros dez funcionários da mineradora e cinco da empresa de consultoria alemã Tüv Süd vão responder por homicídio duplamente qualificado por cada uma das 270 mortes causadas pelo rompimento da barragem B1 em Brumadinho. A tragédia completa um ano no próximo sábado (25).

A denúncia apresentada pelo Ministério Público de Minas Gerais a partir do inquérito da Polícia Civil nesta terça-feira (21) cita que uma “relação promíscua” entre a mineradora Vale e a Tüv Süd escondeu a falta de segurança da estrutura.

(Informações: R7)

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