O democrata Joe Biden será o novo presidente dos Estados Unidos e Kamala Harris será a vice. Nesta sexta-feira (6), o ex-vice-presidente americano garantiu os 270 votos no Colégio Eleitoral com o anúncio de sua vitória na Pensilvânia, de acordo com projeção do Decision Desk HQ. Outros veículos de comunicação ainda aguardam mais dados sobre votos na Pensilvânia para cravar a vitória do democrata no estado e, por consequência, na eleição presidencial.

Biden deve tomar posse em janeiro do ano que vem e vai enfrentar grandes desafios – o principal e mais imediato deles é a pior crise de saúde do século – em um país profundamente polarizado, como o próprio resultado das eleições apresentou.

A disputa contra o presidente Donald Trump foi apertada. Desde que a apuração dos votos começou, na noite de terça-feira (3), Biden estava com vantagem no número de delegados, mas levou quase três dias para consolidar a sua vitória no Colégio Eleitoral, composto por 538 delegados. O presidente Donald Trump ainda tinha chance de conquistar a Pensilvânia, onde tinha uma vantagem de 18 mil votos até a manhã de sexta-feira, mas a contagem das cédulas que chegaram pelos correios acabou colocando um fim às esperanças de reeleição do republicano. A apuração ainda está em andamento no estado, mas a tendência é de que Biden ainda amplie a vantagem em relação a Trump conforme os votos finais sejam contados.

“Para alcançar a vitória na eleição presidencial, Biden teve que restabelecer o “blue wall”, uma expressão que se refere aos estados que desde a década de 1990 votam em candidatos presidenciais do Partido Democrata. Em 2016, Trump tinha conseguido derrubar essa fortaleza azul ao ganhar nos estados de Michigan, Pensilvânia, Wisconsin, mas desta vez Biden foi habilidoso o suficiente para reconquistar eleitores destes três estados tão relevantes para a corrida presidencial.

O vice-presidente de Barack Obama e ex-senador concentrou seus esforços de campanha nos estados do Cinturão da Ferrugem onde Hilary Clinton havia perdido para Trump em 2016 –Wisconsin, por exemplo, ela sequer visitou, o que posteriormente foi considerado um erro de estratégia por parte dos democratas.

Biden, com propostas protecionistas na economia, promessa de aumento do salário mínimo e sua defesa dos sindicatos, conseguiu atrair o voto de trabalhadores da indústria que tinha ido para Trump em 2016. Os aliados de Biden o veem como o candidato natural da classe média trabalhadora – muito mais do que Clinton – e isso pode ter ajudado a consolidar a vitória democrata nestes dois estados em 2020. Além disso, analistas acreditam que uma maior participação de eleitores negros nos condados mais populosos de Wisconsin e Michigan também possa ter alavancado a vitória de Biden – seja por mérito do democrata ou retaliação ao governo de Donald Trump.

Biden também está prestes a vencer no Arizona, estado que votou em Donald Trump há quatro anos. De acordo com pesquisas de boca de urna da CNN, o eleitorado jovem, os eleitores brancos com graduação universitária e uma população maior de latino-americanos no estado podem ter ajudado o democrata a construir sua vitória lá. O democrata também deve sair vitorioso na Geórgia, onde a contagem de votos está na reta final.

(Informações: gazetadopovo.com.br)

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