Advogado Elisson Araújo questiona: ‘Se o médico atestou que ele morreu por uma pneumonia por fibrose pulmonar, por que no dia 14 um novo laudo disse que o senhor José Paulo morreu por coronavírus?’

Em entrevista ao blog do Pedro Reis, o advogado Elisson Araújo falou sobre a morte de José Paulo Martins, homem que faleceu no último dia 9 de abril, em Parauapebas. Segundo laudo emitido pela Secretaria de Saúde do Pará, o homem testou positivo para o coronavírus e essa foi a causa de sua morte. A Sespa informou que a morte de José Paulo seria contabilizada para o município de Canaã dos Carajás, local em que o atendimento do homem havia começado, tendo ele sendo transferido para Parauapebas dias depois da primeira internação.

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Mostrando preocupação com o caso, o advogado questiona a situação. Segundo ele, o homem morreu no dia 9 de abril e a causa da morte, de acordo com o atestado de óbito, era uma pneumonia por fibrose pulmonar, doença crônica que o acompanhava há algum tempo. O advogado afirma que já em Parauapebas José Paulo fez o teste para covid por duas vezes, sendo o resultado negativo. No entanto, no dia 6 de abril, quatro dias depois de ter chegado à UTI de Parauapebas, o paciente teve sangue coletado para o exame definitivo; este foi encaminhado para Belém e o resultado foi positivo para o coronavírus.

Com a positividade confirmado para o vírus, um novo laudo foi emitido pela Sespa. “Se ele já havia morrido no dia 9 de abril e há o laudo atestando que ele morreu pela fibrose, por que ele foi alterado no dia 14? O nosso papel não é o de viés político, queremos que tudo seja esclarecido, pois a família está sofrendo bastante. O laudo do Hospital 5 de Outubro, local em que ele foi atendido, dizia que ele não tinha nenhum sintoma da doença.”

“Se ele tinha coronavírus, de fato, muita gente foi infectada, o que representa um risco para a sociedade” afirma Elisson.

O advogado lembrou ainda que o homem era funcionário da Vale, mas estava afastado justamente por conta da doença. Neste período, ele não morava mais em Canaã, mas sim na cidade de Baião no norte do Pará. “Por que foi contabilizado como uma morte de Canaã? Precisamos ter muita cautela nesse momento sobre qualquer coisa a se afirmar.”

Elisson afirmou ainda que a família está sofrendo preconceito, pois estão sendo vistos como pessoas contaminadas pelo vírus. A certeza que se tem é que essa história parece longe de ser completamente esclarecida. Nas redes sociais, muitas pessoas questionam a veracidade do exame feito e até afirmam que o governo estadual manipulou o resultado por conta de um jogo político.

A desconfiança é um sintoma clássico de tempos de pandemia.

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