“Desde a tragédia em Brumadinho, não estamos conseguindo dormir direito. Temos medo” afirmaram moradores. Segundo Agência Nacional de Mineração, Barragem do Sossego apresenta alto potencial para danos na região

O crime ambiental ocorrido em Brumadinho ainda repercute em todo o planeta. Desde a última sexta-feira (25), um debate inevitável surgiu na sociedade: como aliar desenvolvimento econômico e preservação ambiental? Tendo em vista que a mineração é responsável por boa parte da receita do país, o debate se tornou mais amplo e as cobranças sobre as empresas de exploração mineral aumentaram bastante nos últimos dias.

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Em Canaã, centenas de famílias, moradoras da zona rural, se preocupam com a situação de uma barragem no projeto Sossego. Na última segunda-feira (28), a Agência Nacional de Mineração (ANM) divulgou que a represa possui alto potencial para danos na região. A classificação apavorou os moradores da Vila Bom Jesus e uma assembleia para debater o assunto foi realizada nesta terça-feira (29). Na ocasião, uma comissão foi criada para exigir da Vale mais segurança na exploração mineral no município e uma avaliação completa da barragem do Sossego. A comissão deve levar a problemática aos governos estadual e federal.

O presidente da Câmara Municipal, vereador Wilson Leite, e os vereadores Gesiel Ribeiro e Baiano do Hospital participaram da assembleia e ouviram atentamente os anseios da comunidade.

A comunidade falou sobre o receio existente em relação à barragem. “Desde que aconteceu a tragédia lá em Minas, a gente tem tido dificuldade até para dormir. Não sabemos ao certo como estão as condições das barragens aqui e temos medo. Por isso que é importante reunir toda a comunidade para que a gente chegue aqui num consenso sobre o que deve ser feito pra ter mais segurança para todos. A gente tem medo!”

A comunidade também afirmou que a necessidade do debate é contínua. “Nós não podemos deixar morrer esse assunto, como aconteceu com Mariana. Não podemos permitir que novas tragédias aconteçam no futuro e, para isso, é necessário levar adiante essa questão e cobrar das mineradores soluções mais eficientes para a segurança.”

O presidente Wilson Leite fez o uso da palavra. “Nós estamos aqui discutindo um problema eminente que está à nossa porta. O que nós queremos é informação, respostas da mineradora. Outro ponto que precisa ser destacado é o trabalho dos órgãos de fiscalização que precisa ser mais efetivo e os relatórios têm de expressar a realidade.”

Wilson, Baiano e Gesiel se comprometeram a dar todo o apoio necessário à comitiva e garantiu que atuará no sentido de promover o diálogo entre a comunidade, Vale e os poderes estadual e federal.

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