Brazil's new President Jair Bolsonaro gestures after receiving the presidential sash from outgoing President Michel Temer at the Planalto Palace, in Brasilia, Brazil January 1, 2019. REUTERS/Sergio Moraes

Pior que a burrice do presidente é a asnice da militância que defende tudo o que o presidente diz

Imagine um Sistema Único de Saúde sobrecarregado. Imagine 2% da população brasileira, algo em torno de 2 milhões de pessoas, infectada pela forma mais grave do coronavírus. Gente com problemas respiratórios, precisando de leitos em Unidades de Terapia Intensiva; imagine! Consegue compreender a gravidade da situação?

São 2 milhões de pessoas em corredores de hospital, sem poder ter contato com outras, morrendo aos poucos por um vírus absurdamente contagioso. Algum país estaria preparado para algo deste tipo? E os demais casos graves de saúde? Infartos, AVC’s, complicações de diabetes, acidentes de trânsito… Qual sistema de saúde suportaria os efeitos mais graves de uma pandemia?

Em sua declaração defendendo o fim da quarentena para pessoas fora do grupo de risco, Bolsonaro esqueceu da transmissão em massa da doença. Esqueceu que as pessoas fora do grupo de risco provavelmente voltarão para casa no fim do dia e encontrarão pessoas do grupo de risco e essas estarão indefesas contra a agressividade da transmissão do covid. O caso é grave, sim, e a fala do presidente é irresponsável em muitas maneiras.

Bolsonaro sugere que o Brasil siga na contramão do planeta. Sugere que as pessoas voltem às ruas, trabalhem, vivam suas vidas normalmente em nome da sustentabilidade econômica do país. Em períodos de crise mundial, de pandemia, a economia, evidentemente, sofre e é necessário planos de contingência para tal, como por exemplo programas de transferência de renda para cidadãos em situação de vulnerabilidade social e autônomos, que não podem ir às ruas em busca de seu sustento; países da Europa e os Estados Unidos, espelho maior da política econômica bolsonarista, têm adotado tais medidas.

A saída para a crise não é criar outra e não adianta criar um cenário de terra arrasada. Um mês de isolamento pode ser o bastante para atravessarmos o pior período da crise pandêmica.

O coronavírus é uma doença com potencial catastrófico, que irá definir esta geração.

Nos próximos dias, nossa esperança virá dos governadores, que estão agindo com muito mais bom senso do que o asno que governa este país.

Ainda assim, sou contrário a pedidos de impeachment deste destrambelhado. Acredito que, por mais burro que seja, o presidente foi eleito e qualquer crise democrática pioraria o triste país que já temos.

Deixa ele governar do jeito dele. Vamos agir com bom senso e, claro,  ignorar a militância imbecil que não tem vergonha na cara ao defender qualquer idiotice que o presidente diz.

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