Em menos de uma semana, dois emblemáticos casos de negros mortos pela truculência do estado trouxeram a tona uma sujeira que muitos insistem em empurrar para baixo do tapete: o racismo. No último dia 25 de maio, George Floyd, um segurança negro americano, disse, aos prantos e sem fôlego, que “não conseguia respirar.” Com o joelho em seu pescoço, um policial branco fingiu não ouvir o que o homem dizia. George não resistiu apesar de ter sido socorrido: o racismo venceu mais uma vez.

Nos Estados Unidos, uma onda de manifestações que resultaram, inclusive, em uma delegacia e carros incendiados. A fúria de quem protestava contra o racismo chocou muitos; o movimento, é claro, extrapolou limites, mas é difícil conter o ressentimento que nasce da opressão.

No Brasil, no dia 18 de maio, João Pedro, de 14 anos, foi mais um preto-pobre-favelado a morrer vítima do despreparo do estado. Enquanto brincava em casa com primos, João foi assassinado por policiais. Nas redes sociais, a cobrança é que o caso seja investigado pelo que é – um assassinato. O corpo de João Pedro ainda foi levado em um helicóptero da Polícia Civil e só encontrado pelos pais um dia depois no IML.

Os dois casos, e tantos outros ao longo dos anos, fizeram subir uma hashtag nas redes: “Vidas negras importam”. Setores da sociedade se manifestaram sobre os fatos e condenaram os atos racistas. Enquanto muitos se posicionam contra o racismo, alguns se calam ou mesmo condenam os movimentos: “é mimimi”, dizem.

A frase dita por Angela Davis, ativista americana, passou a ecoar nos confins da internet, muitas vezes até sem os devidos créditos, mas, ainda assim, necessária: “Em uma sociedade racista, não basta não basta não ser racista; é necessário ser antirracista.”

Sim, cara professora Angela, é preciso ser antirracista. Calar-se diante da barbárie contra a negritude é ser conivente com os atos, é ser racista também. Estar contra o racismo é um lugar de fala para todos.

É necessário se posicionar, sim!

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