O ambiente familiar é um lugar onde deveria existir apenas amor, afeto, carinho e educação, mas em Canaã dos Carajás, um adolescente de 12 anos recebia apenas desprezo por parte dos familiares. O menino com as iniciais J.P, quando não era constantemente torturado pela própria mãe, sofria agressões físicas por parte do pai e de uma prima. Cansado, o adolescente decidiu que na rua ele poderia viver melhor e decidiu fugir de casa. “Eu não aguentava mais ficar lá. A minha mãe me estrangulava, meu pai e minha prima batiam em mim. Eu trabalhava o dia todo na fazenda campinando e varrendo. Comia de vez em quando e só um pouco às vezes”, disse.A notícia do desaparecimento chegou rapidamente ao conhecimento do Conselho Tutelar que foi até a residência da família e, a frieza da mãe ao relatar o sumiço do filho, não passou despercebido pelas conselheiras. “Acionamos a Polícia Militar e fomos até a residência. Chegando lá, nós encontramos a mãe do adolescente que relatou que no domingo pela madrugada ela sentiu falta dele. Ela não estava muito preocupada, então, orientamos para que ela fosse até a delegacia fazer o B.O, mas ela disse que não podia porque não sabia dirigir e o esposo estava no trabalho”, informaram as conselheiras Loira da Saúde e Nelivia Pereira responsáveis pelo caso. Segundo relatos do adolescente, ele mal tinha o direito de ter acesso à residência da família e era obrigado a dormir em um paiol (Reservatório utilizado para guardar milho). Após três dias do desaparecimento, o menor foi encontrado sujo e sozinho. “Na hora em que estávamos conversando com o delegado recebemos uma ligação informando o paradeiro do adolescente. Ao chegar no local, era uma cabana de palha perto do Rio Parauapebas, lá ele pescava para poder comer e também recebia alimentação de algumas pessoas. Quando ele nos viu, ele ficou assustado ainda tentou fugir”. O adolescente apresentava vários sinais de agressão no pescoço e a informou que prefere morar com uma irmã mais velha à voltar para a casa dos pais. “Ele estava com várias marcas no pescoço e outras partes do corpo. Foi feito o corpo de delito e a irmã dele concordou em ficar com ele. A mãe dele já esteve aqui, mas sempre muito fria diante da situação”, finalizaram as conselheiras. O caso foi encaminhado ao Ministério Público.
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